Quando o rei desfilou sem roupa…

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Com a aproximação da data do Centenário da República, propomos algumas versões de um conhecido conto de Andersen (extraordinária metáfora sobre os defeitos da monarquia): «O rei vai nu» (popular) / «O fato novo do rei» (Ballesteros) / «O fato novo do sultão» (Guerra Junqueiro) / «O pajem não se cala» (António Torrado). Cada um deles é mais indicado para um determinado nível etário, do pré-escolar (o primeiro) ao 2º CEB (o último).

Começamos com a versão popular:

O rei vai nu

Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar muito bem arranjado.
Um dia vieram ter com ele dois aldabrões que lhe falaram assim:
– Majestade, sabemos que gosta de andar sempre muito bem vestido – bem vestido como ninguém; e bem o mereceis! Descobrimos um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos não são capazes de o ver. Com um fato assim Vossa Majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes dos tolos, parvos e estúpidos que não servirão para a vossa corte.
– Oh! Mas é uma descoberta espantosa! – respondeu o rei. Tragam já esse tecido e façam-me o fato; quero ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço.
Os dois aldrabões tiraram as medidas e, daí a umas semanas, apresentaram-se ao rei dizendo:
– Aqui está o fato de Vossa Majestade.
O rei não via nada, mas como não queria passar por parvo, respondeu:
– Oh! Como é belo!
Então os dois aldrabões fizeram de conta qua estavam a vestir o fato, com todos os gestos necessários e exclamações elogiosas:
– Ficais tâo elegante! Todos vos invejarão!
Como ninguém da corte queria passar por tolo, todos diziam que o fato era uma verdadeira maravilha. O rei até parecia um deus!
A notícia correu toda a cidade: o rei tinha um fato que só os inteligentes eram capazes de ver.
Um dia o rei resolveu sair para se mostrar ao povo. Toda a gente admirava a vestimenta, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a certa altura, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
– Olha, olha! O rei vai nu!
Gargalhada geral. Só então o rei compreendeu que fora enganado; envergonhado e arrependido da sua vaidade, correu a esconder-se no palácio.

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O Fato Novo do Rei
de Xosé Ballesteros; ilustração de João Caetano
Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 40
Editor: Kalandraka
ISBN: 9789728781019

Há muitos anos, vivia um rei que passava o tempo a estrear trajes e fatos e assim gastava a fortuna do país, comprando os tecidos mais caros.
O rei não queria saber dos assuntos do governo e a única coisa que fazia era passear-se de carruagem pelo parque, ir ao teatro, passar em revista as tropas… sempre para exibir os seus trajes novos!
A qualquer hora mudava de casaca e, quando alguém perguntava por ele, recebia sempre a mesma resposta: O nosso imperador está no provador!

O fato novo do sultão
de Guerra Junqueiro
Publicado nos seus «Contos para a Infância», pode ser descarregado, na sua versão original em: http://www.gutenberg.org/files/16429/16429-0.txt

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O Pajem não se cala
António Torrado
Editora Civilização
ISBN  972-26-0802-9
EAN  9789722608022
32 páginas

Esta história, que António Torrado tornou nova a partir de um conto de Andresen, é divertidíssima e passa-se numa corte onde um pajem não se cala, um rei desespera e os fidalgos da corte riem à socapa.

Livro recomendado pelo PNL: 6º Ano de Escolaridade
Para Leitura Autónoma / com apoio do educador ou dos pais

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